Olá meus caros leitores, venho
mais uma vez dividir com vocês, apreciadores de “boas” histórias, mais um causo
da morada dos anjos. Este relato trata-se de criações culinárias que marcaram os
nobres moradores (agora fantasmas), não usarei este texto para falar sobre as
aberrações produzidas no salão de delícias, e nem sobre as maldições que
assombravam a segunda-feira (Leia nas publicações anteriores), e sim para
contar sobre grandes criações gastronômicas que ao longo do processo geraram
dúvidas, todos perguntavam se realmente daria certo, se daria para engolir, e o
medo de que a comida causasse indigestão pela sua produção no mínimo duvidosa.
Relatarei as 3 receitas que presenciei.
Receita 1: Wolf cake
Uma tarde na morada dos
anjos como qualquer outra, ouvi um barulho na cozinha, ao averiguar encontrei o
grande Lobão com uma panela e aquele olhar de quem estava aprontando. Cheguei
já perguntando: - O que está fazendo ai demônio? O lobo respondeu: - auuuuuuu,
auuuuuu! Tornei a pergunta: - Fala demônio! O que ta enfiando nessa tigela ai?
O lobo então respondeu que fazia um bolo. Acompanhei o processo completamente
descrente que algo sairia daquela bagunça, o velho lobo jogava de tudo dentro
daquela travessa e ria! Nenhuma medida ou padrão, nenhuma receita, ele só
dizia: - Minha vó fazia assim muhahahah. Todas as vezes que me refiro a esse
dia uso como referência um episódio do Mr. Been em que ele joga todos os
ingredientes dentro de um chapéu e o bolo sai perfeito. Exatamente meus caros
leitores, o Wolf cake ficou perfeito, macio e saboroso! O fato chamou a atenção de todos pelo estilo
de cozinhar do velho lobo, um estilo que com certeza não é seguro.
Receita 2: Pão Bolo
A fome chegará naquela
tarde, Sir Tiago e eu estávamos atirados no sofá e então veio a idéia, um pão.
Já havíamos feio pão antes, logo seria uma tarefa fácil. Então pegamos todos os
ingredientes e fomos para a produção, quando de repente notamos um problema.
Exageramos na quantidade de água, logo a massa não deu “liga”, ficou mole de
mais e assim seria impossível fazer o pão. Tiagão já havia potencializado a
criação com bacon e calabresa e nesse momento deu a ideia: - vamos colocar
fubá! E assim nosso ingrediente inesperado número 1 foi adicionado à criação.
Continuamos o processo, porém sem sucesso na consistência da massa, então
olhamos a grande dispensa da morada dos anjos. Lá continha um sal grosso que
estava há alguns anos ali, alguns temperos os quais alguns moradores não
pensavam em jogar na panela e meio kg de polvilho o que salvaria a criação. Sir
Tiagão olhou a validade do polvilho e logo alertou sobre seu vencimento que
aconteceu há meses antes daquele dia, eu olhei para o Tiago e dei sinal verde
para que o polvilho fosse anexado ao que ainda chamávamos de pão. Mesmo com os
aditivos a massa ainda assim não teve consistência para que fizéssemos um pão
tradicional, então, depositamos a mistura na forma como se fosse um bolo. Por incrível
que pareça o pão bolo como foi chamado deu certo e não matou ninguém, tal
delicia nunca mais pode ser repetida por falta do ingrediente principal que é o
polvilho alguns meses vencido.
Receita 3 – Pão/Bolo/Orelha de
Padre
Essa foi a mais recente das
criações culinárias de nossos chefes da amada Moradia estudantil, começou com o
treinamento de Sir Luizinho com sua mestra das culinárias que ele amavelmente
chama de mãe, ele praticou a receita tradicional de pão de sua família, mas, na
moradia nada é tradicional nem mesmo a nossa família, logo a receita teria o
toque criativo de nossos guerreiros. Pois bem, Luiz foi para as compras e na
sua lista estava o fermento que seria usado para a terceira criação mais
popular dessa casa e para que não houvesse erro levou junto a ele um
especialista o senhor Harry Potter, que mesmo com sua grande capacidade
culinária não pode prever o que aconteceria. Pois bem, cheguei à casa e me deparei
com sir Luiz preocupado pelo não crescimento do bolo, e explicou várias vezes
que seguiu a receita a risca, então pensamos que o fermento estaria estragado,
porém antes de conferir tentamos todas os conhecimentos empíricos de mães que carregávamos
conosco! Foi cobertor, horas no sol, bolinha da massa no copo, mas a massa não
reagia. Então depois de muita “mandinga” resolvemos ver a validade do fermento.
Quando Luiz me entregou o utensílio que comportava o fermento eu já percebi o
que acontecia, Sir Luiz e Sir Harry compraram fermento de bolo e não de pão, um
pequeno equivoco entre um fermento químico e um biológico! Mas calma meus caros
leitores, isto não é o fim, na verdade essa é a possibilidade de nossos cozinheiros
criarem as suas próprias receitas, e então começou a fabricação em maça da
orelha de padre, o que era para ser um pão se tornou delicias fritas as quais
sua produção ficou registrada em fotos. Em breve espero ter noticias de novas criações,
tenho certeza que os discípulos tem muito a acrescentar a cozinha não
tradicional brasileira.