segunda-feira, 20 de março de 2017

Cozinha não Tradicional Brasileira - Crônicas da Moradia

Olá meus caros leitores, venho mais uma vez dividir com vocês, apreciadores de “boas” histórias, mais um causo da morada dos anjos. Este relato trata-se de criações culinárias que marcaram os nobres moradores (agora fantasmas), não usarei este texto para falar sobre as aberrações produzidas no salão de delícias, e nem sobre as maldições que assombravam a segunda-feira (Leia nas publicações anteriores), e sim para contar sobre grandes criações gastronômicas que ao longo do processo geraram dúvidas, todos perguntavam se realmente daria certo, se daria para engolir, e o medo de que a comida causasse indigestão pela sua produção no mínimo duvidosa. Relatarei as 3 receitas que presenciei.

Receita 1: Wolf cake

Uma tarde na morada dos anjos como qualquer outra, ouvi um barulho na cozinha, ao averiguar encontrei o grande Lobão com uma panela e aquele olhar de quem estava aprontando. Cheguei já perguntando: - O que está fazendo ai demônio? O lobo respondeu: - auuuuuuu, auuuuuu! Tornei a pergunta: - Fala demônio! O que ta enfiando nessa tigela ai? O lobo então respondeu que fazia um bolo. Acompanhei o processo completamente descrente que algo sairia daquela bagunça, o velho lobo jogava de tudo dentro daquela travessa e ria! Nenhuma medida ou padrão, nenhuma receita, ele só dizia: - Minha vó fazia assim muhahahah. Todas as vezes que me refiro a esse dia uso como referência um episódio do Mr. Been em que ele joga todos os ingredientes dentro de um chapéu e o bolo sai perfeito. Exatamente meus caros leitores, o Wolf cake ficou perfeito, macio e saboroso!  O fato chamou a atenção de todos pelo estilo de cozinhar do velho lobo, um estilo que com certeza não é seguro.

Receita 2: Pão Bolo

A fome chegará naquela tarde, Sir Tiago e eu estávamos atirados no sofá e então veio a idéia, um pão. Já havíamos feio pão antes, logo seria uma tarefa fácil. Então pegamos todos os ingredientes e fomos para a produção, quando de repente notamos um problema. Exageramos na quantidade de água, logo a massa não deu “liga”, ficou mole de mais e assim seria impossível fazer o pão. Tiagão já havia potencializado a criação com bacon e calabresa e nesse momento deu a ideia: - vamos colocar fubá! E assim nosso ingrediente inesperado número 1 foi adicionado à criação. Continuamos o processo, porém sem sucesso na consistência da massa, então olhamos a grande dispensa da morada dos anjos. Lá continha um sal grosso que estava há alguns anos ali, alguns temperos os quais alguns moradores não pensavam em jogar na panela e meio kg de polvilho o que salvaria a criação. Sir Tiagão olhou a validade do polvilho e logo alertou sobre seu vencimento que aconteceu há meses antes daquele dia, eu olhei para o Tiago e dei sinal verde para que o polvilho fosse anexado ao que ainda chamávamos de pão. Mesmo com os aditivos a massa ainda assim não teve consistência para que fizéssemos um pão tradicional, então, depositamos a mistura na forma como se fosse um bolo. Por incrível que pareça o pão bolo como foi chamado deu certo e não matou ninguém, tal delicia nunca mais pode ser repetida por falta do ingrediente principal que é o polvilho alguns meses vencido.

Receita 3 – Pão/Bolo/Orelha de Padre   

Essa foi a mais recente das criações culinárias de nossos chefes da amada Moradia estudantil, começou com o treinamento de Sir Luizinho com sua mestra das culinárias que ele amavelmente chama de mãe, ele praticou a receita tradicional de pão de sua família, mas, na moradia nada é tradicional nem mesmo a nossa família, logo a receita teria o toque criativo de nossos guerreiros. Pois bem, Luiz foi para as compras e na sua lista estava o fermento que seria usado para a terceira criação mais popular dessa casa e para que não houvesse erro levou junto a ele um especialista o senhor Harry Potter, que mesmo com sua grande capacidade culinária não pode prever o que aconteceria. Pois bem, cheguei à casa e me deparei com sir Luiz preocupado pelo não crescimento do bolo, e explicou várias vezes que seguiu a receita a risca, então pensamos que o fermento estaria estragado, porém antes de conferir tentamos todas os conhecimentos empíricos de mães que carregávamos conosco! Foi cobertor, horas no sol, bolinha da massa no copo, mas a massa não reagia. Então depois de muita “mandinga” resolvemos ver a validade do fermento. Quando Luiz me entregou o utensílio que comportava o fermento eu já percebi o que acontecia, Sir Luiz e Sir Harry compraram fermento de bolo e não de pão, um pequeno equivoco entre um fermento químico e um biológico! Mas calma meus caros leitores, isto não é o fim, na verdade essa é a possibilidade de nossos cozinheiros criarem as suas próprias receitas, e então começou a fabricação em maça da orelha de padre, o que era para ser um pão se tornou delicias fritas as quais sua produção ficou registrada em fotos. Em breve espero ter noticias de novas criações, tenho certeza que os discípulos tem muito a acrescentar a cozinha não tradicional brasileira.