- Valeu por terem feito porco e não comprado ovo - agradeceu o pobre menino Luiz, que tinha alergia a carne de porco - Vou fritar a parada aqui.
Ninguém se importou, era apenas uma cena normal do cotidiano, sempre que a refeição era carne de porco as reclamações surgiam naturalmente.
Na sala de estar a conversa continuava a mesma, até que ouviram um grito:
- Puta que pariu - Em segundos na porta da sala surge Luiz segurando a mão - Galera me ajuda queimei a mão com óleo quente e não sei o que fazer.
Todo mundo pensando que era sacanagem ficou encarando ele, até que ele repetiu.
- Alguém me ajuda ta doendo pra porra.
Todo mundo correu em seu auxilio, cada um dando seus "conhecimentos" sobre queimadura.
- Coloca em baixo da aguá corrente - Disse Caique, que em seguida sugeriu - Qualquer coisa a gente leva você no hospital.
- Passa óleo frio que fica tudo show - Dizia Damaceno de seu modo descontraído.
- Diz que vinagre é bom - Vinha Talita com um vidro de vinagre na mão - Posso passar?
Sentindo muita dor Luiz só conseguiu responder - Chega o pau.
Fagner já veio logo falando - Velho nada ver isso ae, alguém corre pegar babosa, vocês vão foder a mão do piá.
Eis que Fernanda foi la no quintal e trouxe uma folha desta erva magica, e milagrosa, sim leitores plantem babosa.
A dor ainda não havia ido embora, então Luiz se dispôs a mais um método de cura, com o corpo todo tremendo pela dor, a boca branca, uma ânsia que lhe subia pela garganta.
Eis que surge Gabi, carregando umas pomadas e uma bagagem de quem havia se queimado recentemente.
- Olha Luiz lá no estágio a gente trata de quem se queimou também, coloca gelo em uma bacia com aguá, depois poem a mão dentro que alivia a dor um pouco.
Rapidamente colocaram gelo em uma bacia, notem por mais que não sejamos unidos aqui no reino da moradia ninguém abandona o irmãozinho ferido.
Para surpresa de Luiz realmente funcionava, Gabi continuou dizendo o que ele deveria fazer.
- Olha daqui a pouco você seca a mão e passa essa pomada - Apontou para a pomadinha que havia deixado em cima da mesa - Vai arder bastante, você aguenta, se não der vai no hospital.
Dito isto ela foi dormir, e todos retornaram a seus afazeres.
Luiz que estava preparando um RPG antes de tal acontecido tentou retornar a seu trabalho, não conseguiu, mas pelo menos jantou e sua fritura estava divina.
Ao passar a pomada imaginou que a dor não seria tão grande, bela ilusão.
Seus dedos formigavam, queimavam, a mão congelava, não conseguia fechar os olhos para dormir, a dor o trazia de volta, foram alguns minutos assim, mas para ele pareciam horas.
Eis que teve a brilhante ideia, pendurou a mão pra fora da cama, ligou o ventilador e esperou, esperou que a dor passasse, fosse embora, e durante algum tempo assim foi, mas talvez por a queimadura ser recente o vento começou a machucar.
Não vendo mais alternativa tomou um remédio pra dor, se deitou, ergueu a mão sobre a cabeça e começou a imaginar que nada daquilo acontecia, a cada pontada de dor ele tentava afastar o pensamento daquilo, levou horas até conseguir dormir, ao acordar olhou sua mão, com algumas bolhas e toda manchada, riu sozinho ao pensar que pelo menos o rango valeu a pena.
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