sábado, 17 de setembro de 2016

Amizade

             Esse texto é para tentar expressar a minha concepção amizade. Desde moleque tive facilidade na comunicação social, porém, foi aos 19 anos que comecei a compreender de verdade essa palavra. Amigo não é apenas um aperto de mão, palavras trocadas, risadas, festas, comemorações, enfim, momentos de alegria.  Usarei neste texto relatos pessoais para descrever o que entendo por amizade.
             Cheguei a uma cidade desconhecida para morar com pessoas desconhecida, esses tem uma visão diferente da minha e têm suas manias e individualidades, enfim, são diferentes de mim e diferentes entre si. O primeiro contato em um casarão enorme onde viviam 12 pessoas, apesar de grande era vazio e humilde. Cheguei de uma viagem de 3 horas com as malas contendo apenas roupas e muita esperança. O primeiro contato se fez ao meio dia, a comida já estava pronta no fogão, e me cederam um dos poucos lugares para se sentar e almoçar pela primeira vez naquela casa. Esse lugar que me sentei é um tijolo que é usado como banco e a mesa é minha própria mão, a comida é simples (o que da para comprar devido à condição social de todos). Um dos diversos fatos simples que relatarei ao decorrer desse texto, mas, com grande significado por quem escreve.
              Algo que aprendi já no começo da minha temporada nesta casa é que todos devem ser bem recepcionados, da mesma forma que eu fui, e isso fiz questão de passar para novos moradores, os quais seria eu o responsável a recebê-los. Daí a frase que levarei em minha lembrança por toda minha vida “Moradia é igual coração de mãe, sempre cabe mais um”.
              Sabe o que então é amizade? Mesmo sem ter qualquer laço sanguíneo, ter conversas com diferentes pontos de vistas, estar queimando em febre, e de 5 em 5 minutos ter alguém ao seu lado perguntando se você está bem, é o cara levanta de madrugada para te levar ao pronto socorro, mil ligações perdidas para saber onde você está caso demore voltar para casa, o gás acabar e em segundos transformar uma antena de TV em fogão a lenha para terminar de cozinhar, em outro momento sair na rua meia noite procurar madeira por que não tem lenha, é sentir fome juntos, dividir o salgado que já não é grande, é aquela moedinha de 10 centavos para o Xerox, carregar o móvel abandonado na rua feliz por ter um novo sofá velho para sentar. É a tia, a vó, a mãe de um dos moradores que se transforma em tia, vó ou mãe de todos, pelo carinho que tem com a galera. É a frustração de um terceiro que te deixa frustrado junto, a preocupação com o desempenho acadêmico do parceiro, a criação de um movimento por permanecia e a comemoração de conquistar a ajuda necessária, um exemplo a “Bolsa Branquelão” quando eu era o único na casa a não ter qualquer fonte de renda. É chegar na faculdade, e aquele seu amigo que trampa o dia todo estar  com uma cópia do texto para você mesmo sem você pedir, ou então na fila do Xerox o pessoal que muitas vezes não são aqueles mais próximos, mas que de repente fazem vaquinha para pagar o seu texto. Você preocupado com as provas e ouvir, -Relaxa, você consegue. A pessoa te chamar para concorrer uma única vaga e falar, – Se você conseguir vou ficar feliz por ti. As conversas na madrugada falando sobre a vida, as dificuldades, o medo do futuro, inseguranças. Aquela pessoa que da para perceber que se preocupa com todos, puxa a orelha na hora que precisa, mas a hora que você necessita ela está ali.
            A felicidade geral por quem já saiu e consegue dar continuidade, a comemoração pela aprovação em um mestrado daquele seu amigo que já saiu. A torcida pelos que estão saindo, feliz por terminar essa faze que para quase todos é inédito em sua família. É ver em todos a resistência, a luta, a força de quem chegou com as mão vazias sujas de pó da fábrica, cheios de bagagens tristes, felizes por terem saído da onde estavam.
             Para finalizar, apesar das tretas, dos momentos difíceis, depois de viver isso, não sairei daqui apenas com o que vim buscar, sairei com muito mais do que esperava, amigos que levarei para a vida toda (sou realista e sei que provavelmente nunca mais verei a maioria, mas nunca os esquecerei). Sentirei saudade da casa cheia, ficarei triste em comer sozinho, das conversas na madrugada, dos jogos, das brincadeiras, das piadas, da preocupação. Essa experiência me fez crescer como pessoa, como individuo de uma sociedade, fez enxergar além do homem em carne e osso. Comecei falando em amizade, termino falando em família, pelo simples fato de ter sentido isso somente pela minha família, e por quem me aceitou como parte da família.

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