sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Crônicas da Moradia - Neblina

Olá leitores venho aqui novamente contar uma memória de dias agradáveis passados na Moradia estudantil da UENP.
Essa história se passa em um passado não tão distante, era domingo de manhã, ao que todos acordaram já sentiram uma vibração diferente no ar, ninguém que não vivesse naquele lugar poderia sentir tal vibração, apenas esses seres peculiares que ali se hospedam, todos se olhavam e compartilhavam o mesmo sentimento, era dia de WAR.
Cada um saiu de seu quarto se preparando para a grande batalha que estava por vir, como que se fosse combinado Don Tiagon já preparou uma garrafa do liquido sagrado, a dádiva dos deuses, nosso mais precioso café.
Rogê mal pegou o tabuleiro e já podia ouvir Sir Big White gritando.
– Os soldados brancos são meus! – Ao ouvir isso John já respondeu de seu quarto.
– Os Vermelhos são meus, vou espalhar o comunismo nesse mapa.
Antes mesmo que outra pessoa pudesse dizer que cor queria esse que aqui vos fala já retirou os soldados pretos para si, se bem me lembro Sir Rogê pegou os soldados verdes e Don Tiagon os amarelos.
Alguma vez caro leitor você já jogou WAR? War é um jogo de tabuleiro, onde cada jogador tem um objetivo, e batalha contra os outros para anexar territórios e chegar ao seu destino final, a explicação ficou muito vaga? Para explicar bem o WAR necessitaríamos de umas 4 horas vagas para desenvolver uma partida.
Dito isso caro leitor entenda que travamos pelo menos quatro partidas durante aquela tarde, todas regadas ao nosso precioso café.
Era por volta das oito horas da noite, estávamos a jogar nossa ultima partida, Don Tiagon colocou a água na chaleira e voltou a jogar, estava prestes a ganhar a partida, partiu para o derradeiro ataque, contava mais com a cafeína do que a estratégia, suas mãos tremiam durante os ataques, no computador rolava um som pesado que o impulsionava cada vez mais ao ataque, mas entendam quando é dia de WAR na moradia ninguém quer perder, ninguém se entrega, todos resistiram bravamente, a cada ataque os espectadores entoavam o grito de “RESISTENCIA, RESISTENCIA, RESISTENCIA”, isso aumentava o moral do defensor que também contando com a cafeína jogavam os dados com a certeza de que se manteriam no jogo, o que fez a partida durar mais algumas horas.
Quando Big White vulgo Branquelão olhou pra fora e reparou em algo diferente.
– Rapaziada ta o maior calor aqui dentro, mas ta uma neblina enorme lá fora.
Todos acharam estranho, foi quando Sir Rogê se recordou da chaleira que estava no fogo, todos corremos para a cozinha e não conseguíamos ver nada.
A fumaça cobria tudo, era impossível respirar lá dentro, a água tinha evaporado totalmente e o açúcar tinha-se queimado o cheiro não saia da cozinha, foi necessário colocar todos os ventiladores que dispúnhamos na casa, no caso dois, para expurgar a fumaça.
Já que não tinha o que se fazer terminamos nossa partida, já era tarde, todos se recolheram para os seus quartos, na época Don Tiagon dividia o quarto comigo Sir Luizinho, a cafeína que corria em nossas veias era tanta que não dormimos aquela noite, colocamos a matéria em dia, discutimos a verdade do universo, e quando o sol amanheceu saímos comprar queijo, Don Tiagon pode dar um beijo em sua amada antes dessa partir para a sua aula.

O dia após a neblina não foi um dia feliz, foi um dia sem café, frio e triste, mas isso não nos abalou, ainda viriam dias melhores.

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