quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Miklav

Nunca vou esquecer
A praga que você é
Parecendo ratos e pulgas
Ou então bicho de pé

Nunca vou esquecer
A tralha que  é
Vou-me embora, levando nas malas
Saudade, tristeza e fé

Texto produzido pelos alunos do 7* ano D da Escola Estadual Dr. Rocha Chueiri, Ribeirão Claro-PR, 2016.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Formatura

Se você está perdido
Qualquer caminho é
O caminho a seguir!
É fácil paro o gato
Que do nada pode sumir.
E quanto a mim?
Vai da merda!
Se escolha que eu tomar
Não for a escolha certa.
Parece existir
Um monte de opções
Para escolher
Mas a verdade é que
Não tem para onde correr
O tempo tá passando
E aumenta a pressão
Mais cedo do que penso
Tenho que tomar a decisão
Medo, ansiedade
Nó na garganta
Misturado com receios,
Anseios
E esperança.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Camisa X Sem camisa - As cronicas da Moradia

Era uma bela tarde na moradia, eis que recebemos uma visita de um de nossos senseis, este uns dias antes havia combinado de nos trazer uma bola de futebol para nossa alegria.
Talvez ele tivesse imaginado assim como eu que o futebol se desenrolaria em uma quadra, e esse era inicialmente o planejado, porém sempre um imprevisto acabava impedindo nos de ir a quadra, um dia a chuva, um dia a falta de time, e na maioria o espírito de Preguissatã.
 Então uma brilhante ideia surgiu, por que não jogamos ali na rua mesmo? Igual a gente fazia quando era criança, a nostalgia vai ser da hora, vamos.
Arranjamos dois pares de chinelos velhos, com eles fizemos os golzinhos, três passos largos cada um, medida padrão de todo campinho de rua, então chegou o momento da divisão dos times, nenhum de nós jamais havia jogado junto, a decisão para a escolha do time foi novamente pautada nas regras oficias do rachão do terreiro, dedos iguais é claro, uma, duas, três tentavas e finalmente o time foi decidido, Damaceno e Luiz X Fagner e Jorge, antes da bola rolar mais algumas regras foram reafirmadas.
– Subiu na calçada é fora – já fui logo dizendo – e quem chuta busca.
Todos concordaram em seguida visto que ambas as esquinas terminavam em ladeiras e a julgar pelo tempo que ninguém praticava nenhum esporte a previsão seria da bola sendo perdida.
Rolou a bola no primeiro clássico, e já que é clássico tinha que ter a famosa regra “O primeiro time a tomar gol tira a camisa, o jogo vai até três depois troca”, a correria era geral, talvez pela nostalgia de jogar na rua, ou talvez a ânsia de falar que era melhor que o amiguinho de moradia.
Em menos de dez minutos já estavam todos suados e ofegantes, o primeiro a abrir o placar foi o time Damaceno\Luiz com um gol marcado pelo atacante cabeludo Damaboy, o time Fagner\Jorge mudou sua postura no campo, tentando manter-se em uma espécie de retranca, o que resultou em mais um gol sofrido, dessa vez marcado por este que vos fala, em uma jogada totalmente cagada.
Então Fagner bateu no peito e disse, joga em mim que eu resolvo, o que se deu foi o brilhantismo do jogador que em uma sequencia de jogadas marcou os três gols que levaram seu time a vitória de virada.
Como na maioria dos jogos de rua se deu uma pausa de cinco minutos de descanso, que duram mais ou menos uns vinte minutos a meia hora, e então as novas duplas foram formadas Jorge\Luiz X Damaceno\Fagner.
Diferente da outra partida os gols saíram um pra cada lado logo no começo do jogo, os dois por erros bobos, mais uma vez vim a marcar durante esses clássicos, mas foi à estrela do menino Fagner que brilhou mais forte.
O Segundo gol do time Damaceno\Fagner surgiu de uma linda tabela entre os dois, que resultou em mais um gol de Damaboy, porém o terceiro gol foi uma pintura feita por Fagner, que saiu driblando e deixou os dois adversários pra trás e finalizou o jogo.
– Vocês são tudo pato – Disse ele, rindo pelo golaço que havia acabado de marcar – Vamo descansar ai vai eu e o Luizinho.
Sentaram-se para o descanso que todo sedentário precisa, antes que o jogo seguinte começasse já havia uma enorme platéia de duas pessoas, contando com a minha namorada que fazia uma visita, e um amigo e ex morador o Jovem Mag Douglas vulgo magnão.
Visto que minha namorada observava era hora de fazer bonito, e foi com esse pensamento que iniciamos o terceiro e ultimo jogo do rodízio.
Abrimos um a zero rapidamente com uma bola roubada, troca de passes rápidos e uma conclusão mortal.
Pressionávamos a defesa do adversário não deixando eles trocarem passes livremente, marcávamos próximos a eles, e logo conseguimos a chance que resultaria em mais um gol do menino Fagner.
Na sequencia em uma jogada desesperada o Jovem Damaceno enfiou um bico na bola em direção ao nosso gol, o chute teve muito mais força do que o necessário, a bola cruzou a linha e continuou rapidamente indo em direção a esquina, um único pensamento cruzou a mente de todos, inclusive de nossa enorme platéia, tal pensamento só pode ser traduzido com a seguinte palavra: FODEU.
Todos estavam imóveis observando o caminho que a bola rumava, talvez já imaginassem que era o fim da bola, que foi bom ter jogado mesmo que por pouco tempo, então uma memória dos tempos de futebol na rua de Ibaiti tomou conta do meu ser, entendam eu morava em uma ladeira, nossa diversão era jogar bola mesmo assim, subíamos e descíamos ela o tempo todo.
Tal pensamento moveu minhas pernas antes mesmo que eu tivesse certeza do que eu estava fazendo, corri como não havia corrido em nenhum momento no jogo, sai em disparada e atravessei a quadra em um carreirão, a bola já se encontrava quase na quadra de baixo, só pude ouvir a frase de alguém do qual não consigo me lembrar a voz, mas as palavras foram: “CARALHO O LUIZ CORRE HEIN”.
Agora imagine a cena, uma bola chutada com força descendo uma ladeira, correr em direção a ladeira não é uma coisa tão simples, já diz o ditado pra baixo todo santo ajuda, talvez quem tenha inventado isso nunca saiu correndo em uma ladeira, a sensação de que você vai cair é uma coisa que te acompanha até você alcançar a bola, porque o que vem depois é o pensamento de como eu vou parar de correr nessa budega, forcei minhas pernas no chão dando pisões para desacelerar, o que fez muito barulho e acabou despertando todos os cachorros da vizinhança, dominei a bola e então voltei.

Dobrando a esquina fui recebido como um herói, talvez naquele momento tenhamos voltado a ser crianças, ninguém se lembrava das provas e trabalhos que os aguardavam, demos sequencia a nossa partida, eu já esgotado pela repentina corrida ainda marquei o ultimo gol da nossa noite, lacrando o único placar de três a zero da noite.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Já se foi

Sinceramente
Já se foi aquela vontade louca
Já se foi As brincadeiras toscas
A juventude e os sonhos
Hoje o que tem é realidade
Preocupações de verdade
E poucos sorrisos
Já se foi o desejo do mar
E com ele
A vontade de amar
Hoje já não importa quem errou
Ou até mesmo se vc se perguntou
Pq não se pode errar?
Já se foi o role com os amigos
Onde a bebida era tampico
E a diversão era se arriscar
Hoje bebemos cerveja
Diversão é comida na mesa
E ter força pra continuar
O role já não tem frequência
De tempos em tempos
Aumenta a ausência
E quando você percebe
Já se foi a sua vida
Seu amor, sua saúde
Sua alegria
De uma forma triste
Ridícula!!!
Onde deixou tudo ir
E agora não volta mais.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

EQMs - Crônicas da Moradia

Caros leitores, quem aqui escreve não sabe se viverá muito mais que o dia de hoje, eis que uma enfermidade me assombra de tempos em tempos, a qual acredito ser
Relação com o poderoso vírus de pinhal aliado com o esforço das minhas cordas vocais no exercício da docência. Penso que o álcool e o cigarro(Velhos companheiros de um poeta solitário) também contribuem para acentuar esse mal.
Não  escrevo uma carta de despedida (espero), mas sim relatos de minhas enfermidades em que pensei que não sobreviveria, e que nomeei EQMs, pois realmente encarei a morte nos olhos. Anteriormente já relatara a minha primeira enfermidade nessa morada em outra de minhas crônicas (Noite dos Palhaços-confira postagens anteriores), hoje venho lhes dizer de outros momentos em que a vida deste contador de histórias esteve por um fio.
Pois bem, a primeira que me lembro foi quando o senhor Rogê chegou a morada, já em seu primeiro dia e assustado se deparou com quem vos fala moribundo no seu leito. Como eu havia combinado com Harry Pota, ele ficaria encarregado de me avisar do jantar naquele dia, e Rogê em seu primeiro dia acompanha Potter na missão de me avisar sobre o jantar, eu estava delirando quando ouvi: "vc não quer jantar?" Confesso não me lembrar dessa passagem, mas os nobres companheiros contam que exclamei em voz alta e de dúvida: "- EU NÃO SEI O QUE EU QUERO", deixando o novato Roger assustado com o novo ambiente.  Em outra de minhas enfermidades senti naquela noite ser visitado por mais de 50 pessoas durante a madrugada, entre elas, todos os moradores, conhecidos e pessoas que nunca havia visto na vida, talvez almas perdidas. A alguns dias uma terrível inflamação me pegou, vivi momentos de horrores nesta casa e mais uma vez pensei que partiria para o andar de cima, hoje estou novamente enfermo, não sei se amanhã poderia publicar mais para este blog, fico na esperança de passar mais uma vez por essa maldita doença.

Tudo Maria - As cronicas da moradia

Era tarde da noite, nossos guerreiros cansados já se encontravam em suas camas para o merecido descanso, apenas três seres que ali moram não estavam em seus leitos, Sir Branquelão o famigerado demônio de Sengés, Sir Damaceno o cavaleiro do sorriso fácil, e Sir Luizinho o contador de histórias.
A noite era fria, o vento os incomodava, porém o céu limpo sem nuvens os matinha lá fora, um céu todo estrelado, podia-se ver claramente a rua graças ao brilho da lua, apesar do clima uma bela vista.
Os três a pouco haviam terminado uma poderosa batalha e agora se encontravam em estado de contemplação, em um silencio quase que planejado, até que Sir Branquelão o desfez.
– Olhar o céu me da vontade de fumar um cigarro – Coçou a cabeça e então continuou – Eu não posso fumar um cigarro, eu parei.
Olhando para ele Sir Damaceno indagou – Então não fuma o cigarro você ta com dor de garganta.
– Mas cara eu quero um cigarro – Olhando para Sir Luizinho em busca de uma confirmação ele continuou – Se eu fumar um cigarro só não tem problema né?
– Fuma ué – Disse Sir Luiz, e então mudou o rumo da conversa – O céu ta mó da hora né?
– Pior né – Concordou Damaboy – Ta bem estrelado, hora que o poste apaga da pra ver bem.
Foi neste momento que um comentário curioso surgiu.
– Tão vendo aquelas três estrelas pequenas ali? – Apontou para o céu e então prosseguiu – Aquelas ali são as três Marias – Os outros dois que se encontravam ali o olharam e então ele continuou – Ta vendo aquelas três maiores ali? – Apontou novamente para o céu e logo deu sequencia a sua fala – Aqueles são os três Joãos, e essas estrelas transam.
O que se seguiu foi um momento de risada compartilhada, após uma breve tiração de sarro.
– Cala boca branquelão – Disse Luizinho rindo do que ele acabava de ouvir.
– Mano aquele outro ali é o cruzeiro – Apontou pro céu novamente – Quando você olha a foto parece fácil de achar, mas olhando assim tudo parece o cruzeiro.
– Realmente velho – Apontando pro céu Damaboy continuou – Olha outro cruzeiro ali, outra lá.
Todos riram novamente, por um momento a luz do poste reacendeu e as estrelas perderam sua nitidez, o assunto deles vagou por outros caminhos até o poste apagar novamente, foi quando o jovem Branquelo surgiu com outra.
– Cara aquelas ali – Apontou novamente, pausou até que todos olhassem na mesma direção – Devem ser as cinco Marias.
Talvez ele aguardasse uma risada, porém a resposta o surpreendeu.
– Mano na moral – Disse Sir Luiz Inho pensando no que iria responder – Deve ser tudo Maria.
As risadas tomaram conta do pequeno grupo ali reunido, os três se olharam e o pensamento foi compartilhado “Essa merece Crônica”.

sábado, 17 de setembro de 2016

Amizade

             Esse texto é para tentar expressar a minha concepção amizade. Desde moleque tive facilidade na comunicação social, porém, foi aos 19 anos que comecei a compreender de verdade essa palavra. Amigo não é apenas um aperto de mão, palavras trocadas, risadas, festas, comemorações, enfim, momentos de alegria.  Usarei neste texto relatos pessoais para descrever o que entendo por amizade.
             Cheguei a uma cidade desconhecida para morar com pessoas desconhecida, esses tem uma visão diferente da minha e têm suas manias e individualidades, enfim, são diferentes de mim e diferentes entre si. O primeiro contato em um casarão enorme onde viviam 12 pessoas, apesar de grande era vazio e humilde. Cheguei de uma viagem de 3 horas com as malas contendo apenas roupas e muita esperança. O primeiro contato se fez ao meio dia, a comida já estava pronta no fogão, e me cederam um dos poucos lugares para se sentar e almoçar pela primeira vez naquela casa. Esse lugar que me sentei é um tijolo que é usado como banco e a mesa é minha própria mão, a comida é simples (o que da para comprar devido à condição social de todos). Um dos diversos fatos simples que relatarei ao decorrer desse texto, mas, com grande significado por quem escreve.
              Algo que aprendi já no começo da minha temporada nesta casa é que todos devem ser bem recepcionados, da mesma forma que eu fui, e isso fiz questão de passar para novos moradores, os quais seria eu o responsável a recebê-los. Daí a frase que levarei em minha lembrança por toda minha vida “Moradia é igual coração de mãe, sempre cabe mais um”.
              Sabe o que então é amizade? Mesmo sem ter qualquer laço sanguíneo, ter conversas com diferentes pontos de vistas, estar queimando em febre, e de 5 em 5 minutos ter alguém ao seu lado perguntando se você está bem, é o cara levanta de madrugada para te levar ao pronto socorro, mil ligações perdidas para saber onde você está caso demore voltar para casa, o gás acabar e em segundos transformar uma antena de TV em fogão a lenha para terminar de cozinhar, em outro momento sair na rua meia noite procurar madeira por que não tem lenha, é sentir fome juntos, dividir o salgado que já não é grande, é aquela moedinha de 10 centavos para o Xerox, carregar o móvel abandonado na rua feliz por ter um novo sofá velho para sentar. É a tia, a vó, a mãe de um dos moradores que se transforma em tia, vó ou mãe de todos, pelo carinho que tem com a galera. É a frustração de um terceiro que te deixa frustrado junto, a preocupação com o desempenho acadêmico do parceiro, a criação de um movimento por permanecia e a comemoração de conquistar a ajuda necessária, um exemplo a “Bolsa Branquelão” quando eu era o único na casa a não ter qualquer fonte de renda. É chegar na faculdade, e aquele seu amigo que trampa o dia todo estar  com uma cópia do texto para você mesmo sem você pedir, ou então na fila do Xerox o pessoal que muitas vezes não são aqueles mais próximos, mas que de repente fazem vaquinha para pagar o seu texto. Você preocupado com as provas e ouvir, -Relaxa, você consegue. A pessoa te chamar para concorrer uma única vaga e falar, – Se você conseguir vou ficar feliz por ti. As conversas na madrugada falando sobre a vida, as dificuldades, o medo do futuro, inseguranças. Aquela pessoa que da para perceber que se preocupa com todos, puxa a orelha na hora que precisa, mas a hora que você necessita ela está ali.
            A felicidade geral por quem já saiu e consegue dar continuidade, a comemoração pela aprovação em um mestrado daquele seu amigo que já saiu. A torcida pelos que estão saindo, feliz por terminar essa faze que para quase todos é inédito em sua família. É ver em todos a resistência, a luta, a força de quem chegou com as mão vazias sujas de pó da fábrica, cheios de bagagens tristes, felizes por terem saído da onde estavam.
             Para finalizar, apesar das tretas, dos momentos difíceis, depois de viver isso, não sairei daqui apenas com o que vim buscar, sairei com muito mais do que esperava, amigos que levarei para a vida toda (sou realista e sei que provavelmente nunca mais verei a maioria, mas nunca os esquecerei). Sentirei saudade da casa cheia, ficarei triste em comer sozinho, das conversas na madrugada, dos jogos, das brincadeiras, das piadas, da preocupação. Essa experiência me fez crescer como pessoa, como individuo de uma sociedade, fez enxergar além do homem em carne e osso. Comecei falando em amizade, termino falando em família, pelo simples fato de ter sentido isso somente pela minha família, e por quem me aceitou como parte da família.

Silêncio

Depois de muito tempo aqui
Hoje eu paro a observar
E a cada pessoa que sobe pela escada eu consigo ver
Ver seu pensamento distante
Almas tristes e cansadas
Em outros o sorriso, as piadas
E até mesmo o ar de timidez
Consigo perceber seus vazios
E isso pq tbm estou vazio
Pessoas de lutas e acomodadas
Mas em todas uma inquietação
Talvez pelas suas lutas
Ou pelo seu silêncio
Me vejo em muitas delas
Confesso que sinto inveja das que riem
Um ar de leveza
Como se nada a causasse preocupação
Eu vendo todas essas pessoas
Percebo o quanto sou só
Penso que sempre fui assim
Não em questão de relação
Minha mãe foi a melhor
Tenho amigos inesquecíveis
Mas no fim da noite
Ao apagar das luzes
Lá estou eu em meu quarto
Sozinho
Sem ninguém
Sem um amor verdadeiro
Sem um amigo para conversa
E até mesmo sem minha mãe
A quem poderia me dar colo
Por vezes tento ver o lado bom
Mas existem momentos que não tem como
Coisas as quais queria desabafar
Coisas que não dá para falar
E assim vou levando
Dia a dia
Noite a noite
Sem saber onde exatamente devo ir
Talvez um dia acabe
Ou me sufoque
Até não aguentar mais
Hoje decidi beber
Um dos poucos canos de escape que eu tenho
Assim sigo sozinho

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Queimadura - Crônicas da Moradia

- Valeu por terem feito porco e não comprado ovo - agradeceu o pobre menino Luiz, que tinha alergia a carne de porco - Vou fritar a parada aqui.
Ninguém se importou, era apenas uma cena normal do cotidiano, sempre que a refeição era carne de porco as reclamações surgiam naturalmente.
Na sala de estar a conversa continuava a mesma, até que ouviram um grito:
- Puta que pariu - Em segundos na porta da sala surge Luiz segurando a mão - Galera me ajuda queimei a mão com óleo quente e não sei o que fazer.
Todo mundo pensando que era sacanagem ficou encarando ele, até que ele repetiu.
- Alguém me ajuda ta doendo pra porra.
Todo mundo correu em seu auxilio, cada um dando seus "conhecimentos" sobre queimadura.
- Coloca em baixo da aguá corrente - Disse Caique, que em seguida sugeriu - Qualquer coisa a gente leva você no hospital.
- Passa óleo frio que fica tudo show - Dizia Damaceno de seu modo descontraído.
- Diz que vinagre é bom - Vinha Talita com um vidro de vinagre na mão - Posso passar?
Sentindo muita dor Luiz só conseguiu responder - Chega o pau.
Fagner já veio logo falando - Velho nada ver isso ae, alguém corre pegar babosa, vocês vão foder a mão do piá.
Eis que Fernanda foi la no quintal e trouxe uma folha desta erva magica, e milagrosa, sim leitores plantem babosa.
A dor ainda não havia ido embora, então Luiz se dispôs a mais um método de cura, com o corpo todo tremendo pela dor, a boca branca, uma ânsia que lhe subia pela garganta.
Eis que surge Gabi, carregando umas pomadas e uma bagagem de quem havia se queimado recentemente.
- Olha Luiz lá no estágio a gente trata de quem se queimou também, coloca gelo em uma bacia com aguá, depois poem a mão dentro que alivia a dor um pouco.
Rapidamente colocaram gelo em uma bacia, notem por mais que não sejamos unidos aqui no reino da moradia ninguém abandona o irmãozinho ferido.
Para surpresa de Luiz realmente funcionava, Gabi continuou dizendo o que ele deveria fazer.
- Olha daqui a pouco você seca a mão e passa essa pomada - Apontou para a pomadinha que havia deixado em cima da mesa - Vai arder bastante, você aguenta, se não der vai no hospital.
Dito isto ela foi dormir, e todos retornaram a seus afazeres.
Luiz que estava preparando um RPG antes de tal acontecido tentou retornar a seu trabalho, não conseguiu, mas pelo menos jantou e sua fritura estava divina.
Ao passar a pomada imaginou que a dor não seria tão grande, bela ilusão.
Seus dedos formigavam, queimavam, a mão congelava, não conseguia fechar os olhos para dormir, a dor o trazia de volta, foram alguns minutos assim, mas para ele pareciam horas.
Eis que teve a brilhante ideia, pendurou a mão pra fora da cama, ligou o ventilador e esperou, esperou que a dor passasse, fosse embora, e durante algum tempo assim foi, mas talvez por a queimadura ser recente o vento começou a machucar.
Não vendo mais alternativa tomou um remédio pra dor, se deitou, ergueu a mão sobre a cabeça e começou a imaginar que nada daquilo acontecia, a cada pontada de dor ele tentava afastar o pensamento daquilo, levou horas até conseguir dormir, ao acordar olhou sua mão, com algumas bolhas e toda manchada, riu sozinho ao pensar que pelo menos o rango valeu a pena.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Genial


De quando em quando temos momentos geniais
momento que nos vem um milhão de pensamentos;
um turbilhão de questões levantadas e sanadas,

argumentos são desfeitos e as criticas se tornam mais pesadas.
Tudo isso rola na sua mente,
você passa pro papel e o brilho se vai
a ideia antes tão boa e unica murcha,
e o que era genial passa a ser apenas bom, ou até ruim sobre outras perspectivas.
Da autoapreciação e orgulho a um sentimento de frustração.
Foi-se esse momento único