quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Grande Guerra: Intelectual e Intestinal

        Há quanto tempo meus caros leitores? Primeiramente preciso dizer que já se foi o tempo de Morada dos anjos. Hoje sou mais um fantasma do grande casarão chamado moradia estudantil. Essa história é atual, venho relatar um fato pós-faculdade, o qual não conseguiria deixar sem registro. Para tentar compreender a situação de quem vos fala darei um breve resumo das condições pós-conclusão de curso em algumas palavras – DESEMPREGO, DEPRESSÃO, SAUDADES e CHORADEIRA – comum para os que já conhecem...
       Pois bem, logo com o término do curso apareceu uma oportunidade para exercer minha vida de adulto (odeio ser adulto) nas distantes terras do Mato Grosso. Sim! É mais longe do que a gente imagina... Então, Com todos os problemas nas organizações de locomoção, as emoções de cada etapa do edital que regia o concurso público, em fim, conseguimos reunir uma van de guerreiros dispostos a encarar essa árdua e aventureira jornada. Então, chega-se o dia tão esperado da viagem.
         Antes do horário combinado, Ricardo e eu, guerreiros ansiosos para a guerra, saímos para um divertimento na saudosa praça da faculdade conhecida popularmente como Ágora. Este é o local onde o povo se junta para discutir política e filosofia e tentar parecer intelectual e “desconstruidão”. Em poucos minutos Ricardo reclama de mal estar, mas omite detalhes sobre suas condições, isso faz com que o problema seja tratado sem importância, até o momento que o jovem concurseiro exclama: “- Vamos para casa, preciso ir ao banheiro!” E então eu percebo a necessidade de nos dirigirmos a minha residência antes que um acidente acontecesse em praça pública.
       Já em minha morada, vão se agrupando os soldados desse pequeno exército, e Ricardo, deste a chegada ao trono já batalha contra a sua enfermidade que assusta a todos e a ele mesmo, chegando a cogitar desistir da longa viagem até as terras mato-grossenses.         Neste momento eu me lembro da importância dessa luta, e praticamente arrasto-o para van onde outros integrantes nos esperam. Com um pouco de resistência ele aceita procurarmos uma farmácia para comprarmos remédio a fim de contornarmos a situação. Antes, porém, passamos na casa de Laid Pamela, a bela guerreira com habilidades de se comunicar com Surdos. Com as orientações de Laid Elianinha, que sabia alguns segredos da arte de segurar o intestino, Laid Pamela prepara uma solução de maisena, limão e água. Ricardo ingere a solução e logo devolve tudo com um jato de vomito em direção a nossa intérprete dos que não falam. Laid Pamela só consegue se esquivar por possuir pares de pernas hábeis e com extensão propícias a grandes deslocamentos com velocidade.
       Após esse ocorrido nos dirigimos à farmácia de plantão, onde o jovem moribundo mede sua pressão sanguínea e compra os medicamentos na esperança de vencer a enfermidade e seguirmos viagem - Nesse meio tempo o exercito preocupado com a guerra e saúde do guerreiro pronuncia-se a favor de sua internação, mas como eu liderava a tropa logo falei: “-Meu batalhão não abandona nenhum guerreiro para traz!” – Por fim a pressão sanguínea estava boa e o corajoso guerreiro decide cair na estrada arriscando sua vida para buscar um mundo melhor.
        A viagem foi longa, várias paradas, e em cada uma, fazíamos uma visita aos tronos das localidades. Essas visitas mostraram que a necessidade de sobrevivência humana faz com que o indivíduo reavalie suas definições de banheiro habitável e inabitável (um mais triste que o outro). Para falar um pouco mais sobre mim, preciso contar que minha hipocondria começou a me fazer acreditar que também estava enfermo, cogitando até a possibilidade de uma virose, tomei remédio do jovem Ricardo para prender o intestino e acabei descobrindo que provoquei o problema inverso (fiquei com intestino preso, sofrendo para evacuar a viagem toda). Continuando... Depois de um sono de mais ou menos 2 horas, Ricardo se levanta e diz: “-estou revigorado” demonstrando uma recuperação surpreendente daquilo que parecia ser o seu fim.
       Seguindo viagem e chegando ao Mato grosso do Sul, descobrimos o primeiro mito, existe sim frio nas terras Matogrossenses, e os guerreiros crentes que o mito era verídico passam uma noite de frio dentro da condução. Eu particularmente, com vestes de verão quase tive hipotermia e como comandante me preocupei em deixar a tropa aquecida sofrendo com as baixas temperaturas da madrugada. Assim que pegamos a guerreira “estrangeira” no povoado de Três Lagoas continuamos nossa viagem por várias horas até chegar à capital do Mato grosso do sul onde a tropa fez uma longa parada e alimentou-se.
Saindo, agora em direção ao destino, aparentava que rodaríamos o globo terrestre e não chegaríamos a “tão tão distante”. O que era para ser uma viagem de 15 horas se tornou 20. Chegando lá cada um foi para seu local de preparação para a batalha. Nesse tempo houve confraternização com a população local de alguns guerreiros que saíram conhecer as tabernas da região, enquanto outros preferiram descansar da viagem em seus aposentos.
        A HORA DA BATALHA – Resumindo, foi sangrenta!!!!! Cada equipe se dirigiu ao seu ponto estratégico para o round 1. Ao fim desse primeiro confronto a maioria estava gravemente ferida e já desacreditando da vitória. Depois do descanso é à hora do round 2, os guerreiros voltaram com uma garra surpreendente e finalizaram a batalha com 2 horas de antecedência, mas incertos sobre seu desempenho por causa do primeiro round... A van passou buscar os feridos em seus respectivos locais de combate ou nos seus pontos de concentração. Então seguimos até uma parada para podermos nos higienizar depois de 12 horas de batalha enfrentando fortes temperaturas matogrossenses. Lá, havia onde se limpar apenas nas dependências do banheiro feminino. Eu e meus bravos companheiros nos aventuramos na ilegalidade e nos limpamos ali mesmo, sempre com uma guerreira do batalhão fazendo a guarda do local.

       A volta foi de festa e de descontração entre uns e outros problemas intestinais. Os guerreiros felizes com o fim da guerra, unidos pelos laços da batalha, interagiram e criaram um laço já pretendendo se aventurar ao que eu chamo de Projeto Bahia, que será outra história de uma guerra que ainda está por vim. Dedico essa crônica a todos os guerreiros que saíram vitoriosos e os que, como eu, levaram uma boa surra, mas sempre tomando como experiência para batalhas futuras.

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