domingo, 18 de dezembro de 2016
A grande guerra - As Cronicas da Moradia
sábado, 17 de dezembro de 2016
Entre o querer e o fazer.
É um momento complicado para que eu inicie um diálogo com vocês, enquanto deveria me preparar emocionalmente para dois exames que irão decidir meu futuro universitário. Futuro esse, que sem dúvida nenhuma, não vai fazer diferença na vida de ninguém a não ser da minha, então eu me permito fazer dele de formas e consequências que eu bem entender. Até por que eu não estou aqui para falar de universidade. A sala de aula não nos ensina o que a gente aprende em um dia. Um dia qualquer, como o dia de hoje. A começar por minha tia contando a história que eu já ouvi umas par de vezes sobre a prisão do meu avô no período militar. Dessa vez foi diferente, dessa vez foi um relato com emoção e direito a choro, arrepios e detalhes. A frieza da sala de aula jamais proporciona isso. Seguiremos, porém desse primeiro ítem já dá para extrairmos um conhecimento tanto de época quanto de sentimentalismo que eu chamaria de: maravilhoso.
Tenho o costume de sempre que me dar na telha ir até as missas da catedral próxima a minha casa. No caminho cruzo com um senhor baixo, de roupa suja, tênis colorido e meia na canela, que começou a me contar que ele esperara marceneiro chegar para paga-lo até aquele momento, e ele não o fez como o combinado. O senhor era detalhista, e enquanto caminhamos ele me contava como se fôssemos velhos amigos, o acerto era de 32 reais, e era uma sacanagem não pagar pelo serviço, afinal, de que adianta o filho dele frequentar a igreja batista e ele fazer uma coisa dessas. Sim, chegou nesse nível. Ao decorrer da conversa (ela não tinha acabado de forma alguma, se andássemos mais dez quadras teríamos assunto para as dez. É gente assim que vale a pena) mudei-me de quadra em direção a outro senhor que é um velho conhecido e não o via a muito tempo. Ele me cumprimentou com alegria e me contou que estava (e estava mesmo) plantando dois Ipês brancos, o mais difícil de pegar, e que o sol iria destruí-los. Uma pena, eu lamentei profundamente. Só que pensando agora, diante da energia positiva depositada no Ipê eu acredito que vá florescer. Aguardo. Continuei rumo a igreja, igreja essa bastante elitizada e eu nada arrumado para os padrões que essa mesma elite definiu que eram os apropriados para adentrar á "casa de Deus". No momento que eu passei a porta um rapaz me saudou com uma euforia e boa vibração que me fez sentir-me muito mais á vontade. Uma boa recepção faz bem pra alma, ainda que a casa seja de Deus e não dele, te aproxima de Cristo e do que ele mesmo deixou a nós. Até aqui tudo ok? Sinto que deu pra relatar pelo menos um pouco da sensação de experiência adquirida, ainda que embora eu escreva pra vocês, a sensação que terão ao ler jamais será a que eu tive. Talvez maior, talvez menor. Já me pré-julgando acredito que a sensação é muito menor, pois bem, não sou nenhum Jorge Amado nem Fernando Pessoa. Passo então pras próximas lições. O padre dessa igreja tem uma espiritualidade elevadíssima. Não sou só eu que digo, é notório para todos. Uma paz na voz, paz essa perceptível também (claro) pela leveza, um cuidado na colocação das palavras e uma atenção com os fiéis de dar vontade de imitar. Não percebo nele nenhuma falsidade, nenhuma maldade. É puritano, e o melhor é que o é por ser assim. Na homilia, o antigo sermão, ele deu aquela velha lição de ir a Deus livre de buscas, assim só desfrutaremos da plenitude do seu amor, amor sem cobrança, amor sem pedido, amar por amar. Mensagem parecida com a principal mensagem do médium Chico Xavier ao mundo. Essa que me fez abrir o peito em enorme arrependimento pelos motivos que eu ia a missa nesse dia, afinal, vamos com intenções e voltamos com a ideia de termos depositadas lá. Bate a sincera vontade de não ter intenção, interesse. Nada. Estar por estar, e agradecer. O aprendizado do dia não termina aí, o padre antes de ir embora cumprimenta com abraços e muita fraternidade cada pessoa dentro da igreja desejando um bom fim de semana. Fim de semana esse, que ainda que esteja acabando eu desejo a vocês com benevolência e com a mesma sinceridade e intensidade que o padre desejou a nós. Saí da igreja renovado e aliviado, fui até o bar do Paulinho, local que eu frequento por razões pessoais, encontro-me lá com Silvinho, que me cumprimenta também com sinceridade e alegria. Ligando os pontos, se houver ligação em tudo que eu disse, eu encontrei respostas sinceras de várias perguntas que eu nunca me fiz, para que eu nem precise me perguntar. O que eu quero dessa semana que virá e que vai definir o que será do meu próximo ano: eu quero sinceridade e alegria. Com curtas doses de realidade. Será possível que eu tenha uma semana natalina com a paz da alegria, e a luz da sinceridade? Antes que me digam, eu entendo que sinceridade e realidade são pontos diferentes no sentido, e principalmente na poesia. Então, vamos deixar a poesia falar mais alto, pelo menos agora. Na verdade, bom seria se essa poesia falasse alto toda a vida. O último ponto que quero compartilhar: é bom me reencontrar comigo, reafirmar meus desejos e minhas atitudes. Me deixa mais leve, eu sei o que faço e o que eu quero. Eu sei onde eu piso, pelo menos agora.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Momento de refletir
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Instante de paz
O sol cortava o corredor, isso é, metade dele era sombra, e a outra metade, luz e calor. Enquanto eu caminhava em direção a minha mãe, alcancei metade do calor. Nesse momento eu senti o calor na minha pele, e não me incomodei com ele. Depois, inexplicavelmente eu senti um prazer interno indescrevível. Enquanto eu olhava para minha mãe lavando a calçada, parei para sentir essa delícia na alma. Era como se por alguns segundos eu tivesse alcançado a paz eterna. E talvez eu tenha. Afinal, não é possível que o eterno seja eterno. Nem a eternidade consegue se eternizar, e pra falar bem a verdade, esse papo de eternidade já é demodê. Ultrapassado, coisa de conservador. As coisas estão sempre em constante mudança, mesmo que ainda depois de considerado "eterno". Todo mundo já viu aquela: "que seja eterno enquanto dure." Voltando: a paz me abraçou. É um sentimento de pureza, de confiança e ao mesmo tempo dá pra ser interpretado como uma injeção de auto-estima. Em menos de um minuto (eu perdi, entre esses segundos a noção de tempo) minha mãe terminou de lavar a calçada, recolhia a mangueira e subiu olhando para mim, sorrindo. A sensação aumentava. Meu espírito se traduzia em chamas de harmonia, sem peso de culpa. São os segundos que eu apenas reafirmo com toda humildade que eu sou um privilegiado e todos os dias tenho a oportunidade de amar mais e mais as pessoas e a vida. Uma brisa gostosíssima, embora por instantes o medo tentava me apavorar, mas a paz e a leveza na alma demonstraram graus de superioridade. Lembro também que nesse dia, eu estava com uma louca vontade de escrever. Nada específico, não especialmente para alguém. Escrever para mim, por puro ego ou pura saciação-momentânea. Pensei, passado esse belo instante de felicidade em escrever sobre esses segundos, e passou pela minha mente remete-lo ao amor materno. É como se a presença de minha mãe, na minha frente, me trouxesse a resposta de paz. A luz natural de mãe. A tranquilidade para a solução das coisas. O sorriso da minha mãe impediu que eu escrevesse naquele dia. Gastamos seu tempo com atividades de casa, e boas conversas bem trocadas. Não esquecerei tão cedo aquela sensação, mas espero do fundo do peito que ela não demore a voltar. por onde andas, onde quer que estejas, que a paz te abrace!
Sonhos que nos arrancam
"O que é um sonho para você?" Ela perguntou. Eu penso que já dediquei boa parte do meu tempo tentando definir as coisas. Respondi então, preguiçoso e desajeitado: "não sei se consigo definir de imediato". "Pois então te direi!" E iniciou um pensamento que moldaria os meus durante aquele fim de tarde. Minha vó me explicara que existem três tipos de sonho. Na verdade, que em caso de sonhadores existem apenas três saídas. O primeiro tipo (ou saída, chame como preferir) é o sonho que de alguma maneira, morre-se sonhando. Ela ressaltou a beleza de passar uma vida com um sonho. Você vive na esperança, respira a esperança e o sabor do sonho vale a pena. Você pode morrer sem materializar essa ideia, mas ainda assim valeu pela esperança. A segunda finish para sonho seria o sonho realizado. Não tenho muito o que descrever. A felicidade da realização do sonho deve ser, de fato, muito prazeroso. Usufruir dele pra vida talvez torne a carga mais leve, talvez não. Não sabemos ao certo. Mas já na terceira etapa para os sonhos, fica a reflexão mais incomoda. Segundo Elita, o mais triste, o final mais infeliz de um sonho são os sonhos que nos arrancam. Pois bem, é retirado seu direito de sonhar, é o rompimento da esperança. Com a expectativa rompida, não pode-se nem morrer com a ilusão. A dor de ter um sonho perdido deve arder cada dia do final da vida, afinal, perdeu-se a chance de sonhar aquilo, perdeu-se um sonho. Perdeu-se o sonho, o sono, perdeu-se.
Acredito que a vó não saiba o quão intrigado fiquei, e qual a probabilidade dessa junção de fatores baseada na experiência pode mudar minha vida. Aquela noite não foi a mesma. Os sonhos, de repente tinham um outro sentido. Desde o momento eu já não via dor em alguém que morreu sem ter sentido o doce da realização. Tenho eu agora, o dobro ou mais dessa pena ao me deparar com um sonho que está morto. Um sonho morto é a morte da esperança, e se a esperança é a última que morre, é a morte da vida. Vive-se então, dali para a frente, com um belo pedaço de você: morto. É o que chamarei de a dor do sonho. Distante agora de uma terminologia, e mais próximo da utopia.
Naquela noite, busquei estrelas no céu. Busquei sonhos, busquei esperança. É claro que eu encontrei, e também é claro que não encontrei. Tudo depende do ponto de vista. E o meu está dividido agora entre o sim e o não. Tem acontecimentos que chocam, que mexem com a gente. Que aumenta nossos sonhos, ou que simplesmente, terminam de matar. Bom seria, nessa semana, que sonhos não tivessem definição. Tristeza nem alegria, solidão nem consolo. Bom seria se sonhos por alguns momentos, fossem apenas: sonhos.
E de repente eu me vi assim completamente seu
Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não tem caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar
Quando a canção se fez mais forte e mais sentida
Quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me contar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa
Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Ter Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um Dom
Que eu tenho em mim
Eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz
