É um momento complicado para que eu inicie um diálogo com vocês, enquanto deveria me preparar emocionalmente para dois exames que irão decidir meu futuro universitário. Futuro esse, que sem dúvida nenhuma, não vai fazer diferença na vida de ninguém a não ser da minha, então eu me permito fazer dele de formas e consequências que eu bem entender. Até por que eu não estou aqui para falar de universidade. A sala de aula não nos ensina o que a gente aprende em um dia. Um dia qualquer, como o dia de hoje. A começar por minha tia contando a história que eu já ouvi umas par de vezes sobre a prisão do meu avô no período militar. Dessa vez foi diferente, dessa vez foi um relato com emoção e direito a choro, arrepios e detalhes. A frieza da sala de aula jamais proporciona isso. Seguiremos, porém desse primeiro ítem já dá para extrairmos um conhecimento tanto de época quanto de sentimentalismo que eu chamaria de: maravilhoso.
Tenho o costume de sempre que me dar na telha ir até as missas da catedral próxima a minha casa. No caminho cruzo com um senhor baixo, de roupa suja, tênis colorido e meia na canela, que começou a me contar que ele esperara marceneiro chegar para paga-lo até aquele momento, e ele não o fez como o combinado. O senhor era detalhista, e enquanto caminhamos ele me contava como se fôssemos velhos amigos, o acerto era de 32 reais, e era uma sacanagem não pagar pelo serviço, afinal, de que adianta o filho dele frequentar a igreja batista e ele fazer uma coisa dessas. Sim, chegou nesse nível. Ao decorrer da conversa (ela não tinha acabado de forma alguma, se andássemos mais dez quadras teríamos assunto para as dez. É gente assim que vale a pena) mudei-me de quadra em direção a outro senhor que é um velho conhecido e não o via a muito tempo. Ele me cumprimentou com alegria e me contou que estava (e estava mesmo) plantando dois Ipês brancos, o mais difícil de pegar, e que o sol iria destruí-los. Uma pena, eu lamentei profundamente. Só que pensando agora, diante da energia positiva depositada no Ipê eu acredito que vá florescer. Aguardo. Continuei rumo a igreja, igreja essa bastante elitizada e eu nada arrumado para os padrões que essa mesma elite definiu que eram os apropriados para adentrar á "casa de Deus". No momento que eu passei a porta um rapaz me saudou com uma euforia e boa vibração que me fez sentir-me muito mais á vontade. Uma boa recepção faz bem pra alma, ainda que a casa seja de Deus e não dele, te aproxima de Cristo e do que ele mesmo deixou a nós. Até aqui tudo ok? Sinto que deu pra relatar pelo menos um pouco da sensação de experiência adquirida, ainda que embora eu escreva pra vocês, a sensação que terão ao ler jamais será a que eu tive. Talvez maior, talvez menor. Já me pré-julgando acredito que a sensação é muito menor, pois bem, não sou nenhum Jorge Amado nem Fernando Pessoa. Passo então pras próximas lições. O padre dessa igreja tem uma espiritualidade elevadíssima. Não sou só eu que digo, é notório para todos. Uma paz na voz, paz essa perceptível também (claro) pela leveza, um cuidado na colocação das palavras e uma atenção com os fiéis de dar vontade de imitar. Não percebo nele nenhuma falsidade, nenhuma maldade. É puritano, e o melhor é que o é por ser assim. Na homilia, o antigo sermão, ele deu aquela velha lição de ir a Deus livre de buscas, assim só desfrutaremos da plenitude do seu amor, amor sem cobrança, amor sem pedido, amar por amar. Mensagem parecida com a principal mensagem do médium Chico Xavier ao mundo. Essa que me fez abrir o peito em enorme arrependimento pelos motivos que eu ia a missa nesse dia, afinal, vamos com intenções e voltamos com a ideia de termos depositadas lá. Bate a sincera vontade de não ter intenção, interesse. Nada. Estar por estar, e agradecer. O aprendizado do dia não termina aí, o padre antes de ir embora cumprimenta com abraços e muita fraternidade cada pessoa dentro da igreja desejando um bom fim de semana. Fim de semana esse, que ainda que esteja acabando eu desejo a vocês com benevolência e com a mesma sinceridade e intensidade que o padre desejou a nós. Saí da igreja renovado e aliviado, fui até o bar do Paulinho, local que eu frequento por razões pessoais, encontro-me lá com Silvinho, que me cumprimenta também com sinceridade e alegria. Ligando os pontos, se houver ligação em tudo que eu disse, eu encontrei respostas sinceras de várias perguntas que eu nunca me fiz, para que eu nem precise me perguntar. O que eu quero dessa semana que virá e que vai definir o que será do meu próximo ano: eu quero sinceridade e alegria. Com curtas doses de realidade. Será possível que eu tenha uma semana natalina com a paz da alegria, e a luz da sinceridade? Antes que me digam, eu entendo que sinceridade e realidade são pontos diferentes no sentido, e principalmente na poesia. Então, vamos deixar a poesia falar mais alto, pelo menos agora. Na verdade, bom seria se essa poesia falasse alto toda a vida. O último ponto que quero compartilhar: é bom me reencontrar comigo, reafirmar meus desejos e minhas atitudes. Me deixa mais leve, eu sei o que faço e o que eu quero. Eu sei onde eu piso, pelo menos agora.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Entre o querer e o fazer.
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