segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Sonhos que nos arrancam

Certa tarde, dessas poucas que tenho passado em Marília ao decorrer desse ano, estava em um papo-cabeça, aqueles do tipo amigável, com minha avó. De alguma forma, a conversa tomou caminhos e chegou nos sonhos. Minha vó é de uma filosofia pura. Única. Não sei se te farei compreender, mas tente: vamos imaginar uma senhora, que nem tão velha, nem tão jovem, anda de bem com a vida. Ou pelo menos demonstra andar. Pois bem, ela sabe o momento de filosofar, só não sabe controlar aquilo que vou chamar de "estouros-de-personalidade". Lembrando que não estou enumerando defeitos e qualidades, é apenas uma descrição para que seja útil à interpretação ao decorrer desse texto. Carrega a experiência de uma vida, mas tem uma juventude no peito. Essa forma que eu descrevo Elita para vocês não é a mesma se me perguntarem: "quem é Elita pra você?". As formas de descrição variam de acordo com a situação.
"O que é um sonho para você?" Ela perguntou. Eu penso que já dediquei boa parte do meu tempo tentando definir as coisas. Respondi então, preguiçoso e desajeitado: "não sei se consigo definir de imediato". "Pois então te direi!" E iniciou um pensamento que moldaria os meus durante aquele fim de tarde. Minha vó me explicara que existem três tipos de sonho. Na verdade, que em caso de sonhadores existem apenas três saídas. O primeiro tipo (ou saída, chame como preferir) é o sonho que de alguma maneira, morre-se sonhando. Ela ressaltou a beleza de passar uma vida com um sonho. Você vive na esperança, respira a esperança e o sabor do sonho vale a pena. Você pode morrer sem materializar essa ideia, mas ainda assim valeu pela esperança. A segunda finish para sonho seria o sonho realizado. Não tenho muito o que descrever. A felicidade da realização do sonho deve ser, de fato, muito prazeroso. Usufruir dele pra vida talvez torne a carga mais leve, talvez não. Não sabemos ao certo. Mas já na terceira etapa para os sonhos, fica a reflexão mais incomoda. Segundo Elita, o mais triste, o final mais infeliz de um sonho são os sonhos que nos arrancam. Pois bem, é retirado seu direito de sonhar, é o rompimento da esperança. Com a expectativa rompida, não pode-se nem morrer com a ilusão. A dor de ter um sonho perdido deve arder cada dia do final da vida, afinal, perdeu-se a chance de sonhar aquilo, perdeu-se um sonho. Perdeu-se o sonho, o sono, perdeu-se.
Acredito que a vó não saiba o quão intrigado fiquei, e qual a probabilidade dessa junção de fatores baseada na experiência pode mudar minha vida. Aquela noite não foi a mesma. Os sonhos, de repente tinham um outro sentido. Desde o momento eu já não via dor em alguém que morreu sem ter sentido o doce da realização. Tenho eu agora, o dobro ou mais dessa pena ao me deparar com um sonho que está morto. Um sonho morto é a morte da esperança, e se a esperança é a última que morre, é a morte da vida. Vive-se então, dali para a frente, com um belo pedaço de você: morto. É o que chamarei de a dor do sonho. Distante agora de uma terminologia, e mais próximo da utopia.
Naquela noite, busquei estrelas no céu. Busquei sonhos, busquei esperança. É claro que eu encontrei, e também é claro que não encontrei. Tudo depende do ponto de vista. E o meu está dividido agora entre o sim e o não. Tem acontecimentos que chocam, que mexem com a gente. Que aumenta nossos sonhos, ou que simplesmente, terminam de matar. Bom seria, nessa semana, que sonhos não tivessem definição. Tristeza nem alegria, solidão nem consolo. Bom seria se sonhos por alguns momentos, fossem apenas: sonhos.

Ainda tem café, 04/12/2016


imagem que recebi de minha avó exaltando o tema "sonhos" nessa semana, nem tão ilustrativa.


Sonhos, Peninha:

Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo 
E de repente eu me vi assim completamente seu
Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não tem caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar
Quando a canção se fez mais forte e mais sentida
Quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me contar dessa paixão inesperada 
Por outra pessoa
Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre 
Ter Saudade até que é bom 
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um Dom
Que eu tenho em mim
Eu tenho sim
Não tem desespero não 
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

Um comentário:

  1. cara, me transportei agora pra 1996, primeira vez que li perfume, e ja te disse que nunca mais senti um cheiro impunemente lembra, agora meu sentido é mais forte ainda sei acho a muito tempo (na vdd só um pouco) afinal vc só tem 18 anos rsrsrsrsr que vc ten o dom de sugar das pessoas o melhor delas e transformar isso em palavras, me senti
    a especial do mundo te lendo, e mais especial ainda te tendo , eu te mereço sabe disso neh, ainda te amo, desconfio até que vou te amar para sempre bjus

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