A
moradia estudantil sempre foi um lugar ligado a vozes: vozes de estudos, vozes
de minorias, vozes de luta e vozes de madrugada. Essas ultimas são o foco deste
relato. Nos momentos em que estive presente, quase todas as noites de semana de
provas traziam um certo que de fantasmagórico dentro dos quartos daquela morada.
Os personagens que ali moravam relatavam diversas conversas durante o meio da noite,
destas algumas presenciadas por quem escreve esse texto, e ainda sem
compreensão por parte dele.
Certa
noite enquanto acordava depois de um sonho desconexo, fico olhando para o teto
esperando o sono voltar, quando:
- A
policia! - O companheiro de quarto Rodrigão solta uma dessa em plena madrugada,
o mesmo acorda com seu tom alto de voz e começa a rir com sua risada/marca
registrada.
Todos
do quarto riram, sabiam o que causara o medo na voz do rapaz, e não era a
policia que o seguiu em sonho.
Em
outra semana de prova, para desestressar, os moradores resolvem improvisar uma
partida de RPG. Ainda leigo nessa arte, graças aos improvisos do mestre Luiz
eles conseguem partir para uma boa aventura. Só que o que eles não sabiam era
que o jovem mestre possuía uma história não tão divertida assim, em algum
momento daquela noite ele narra um cenário não muito acolhedor:
-
Havia sangue, muito sangue – não era necessário tentar decifrar o que veio em
seguida, pois o lugar narrado pela voz do mestre não parecia ser o de uma
aventura, mas o de um campo após uma guerra, que provavelmente teria sido
travada após uma semana tensa.
Já em outra morada, muito tempo depois dessa
primeira, meus companheiros de quarto mudam, mas a semana de prova não, estava
eu olhando para a beliche de cima a minha, ouvindo os roncos do companheiro que
a dividia comigo, quando escuto palavras ofensivas proferidas ao meu lado:
-
Seu babaca – a palavra foi seguida de murmúrios que não eram possíveis
reconhecer, dada a forma que o jovem Luiz murmurava, provavelmente o cara que
mexeu com ele no sonho não teve a melhor.
Porem
na ultima semana de prova minha, neste mesmo quarto, presenciei a voz mais
nítida que já havia visto ate então, O jovem João seus muitos sonhos noturnos,
solta uma perola em que qualquer fã de culinária ficaria desesperado.
- A
Ana Maria morreu! – o silencio que foi quebrado com tais palavras voltou no
mesmo instante. A duvida pairava sobre a cabeça, quem seria tal mulher ao qual
meu amigo ficou tão chocado a ponto de falar dormindo sobre sua morte?
Esses
foram os que eu consegui lembrar, existem muitos outros, relatos de pessoas
correndo em suas camas ate se sentando nelas no meio da noite sem fazer nada.
Porem as vozes, ah, as vozes, elas nunca se calam.
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