segunda-feira, 18 de julho de 2016

Cronicas da Moradia - Maldição da Segunda - Feira

Eis mais um conto baseado em histórias vividas por este que vos fala, a mais ou menos dois anos rumei da distante Ibaiti para Jacarezinho, para terminar meu treinamento e me tornar um sensei de qualidade, antes de tudo perguntei a Sir Rogê se na Moradia dos anjos havia vaga, ele vendo a minha necessidade explicou o procedimento e me deu um aviso.
– Jovem guerreiro Luizinho, traga mantimentos para segunda-feira, não sabeis o mal que lhe espera em tal dia.
Notem nunca imaginária nada demais acontecendo na moradia, voltei para casa de minha progenitora Dona Suzana, senhora suprema das maquinas de costura, arrumei minhas coisas me despedi e vim, ignorei o aviso dado pelo meu grande companheiro, no caminho até a casa fui percebendo que em todas as tavernas que existiam em tal percurso havia um morador, achei muito estranho, porem não tinha dinheiro para parar em nenhuma.
Cheguei à moradia e a primeira coisa que noto é que ninguém se encontrava na cozinha, apenas um ser, ouvindo cantos xamanicos enquanto prosseguia com seu ritual o qual ela vulgarmente chamava de cozinhar, ainda assim não achei estranho, a estranheza começou quando todos me incentivaram a comer bolacha, ainda assim eu não entendia,até que o ser terminou o ritual com as palavras mágicas “O rango está pronto”.
O grande guerreiro Rodrigão, acostumado com toda provação desde que saiu das terras longínquas de Fartura sacou seu prato, abriu a panela e exclamou em tom de ironia.
– Huuuuuuuuuuuum batata doce mal passada, minha comida favorita.
Lembro-me claramente de como eu não consegui terminar a refeição, de como eu sentia que aquela batata doce mal mergulhara no óleo e fora servida a mesa como prato principal, mas agora você se pergunta essa é maldição? Tem mais meu querido leitor, sim tem mais.
Este ocorrido se deu pouco antes do primeiro relatado, o grande clérigo John Karl Marntins na época recém renegado, chegou as sete da noite de uma linda segunda-feira, no dia de seu aniversário onde completaria 20 invernos, se instalou no quarto antes conhecido como Suruba ou Solar, agora rebatizado como Santuário, se ajeitou com um colchão sua única mala de roupas e suas caixas de livros raros, recebeu uma ilustre visita que procurava por Satanás, não leitor ela não procurava pelo demônio e sim pelo gato que era um mascote da casa, ao entrar no quarto de John.
– Satanás é você – Ao olhar dentro do quarto Lady Estefânia suspirou e disse – nossa que quarto bagunçado.
Mas essa história não vem ao caso, um dia relataremos sobre Satanás e sobre Lady Estefânia.
Nosso intrépido ex-clérigo ficou recluso até o momento do Jantar, quando Sir Rodrigão o convidou para comer, ao entrar na cozinhar sentiu um cheiro de queimado, em seguida a Antiga Xamã já estava se justificando.
– Queimou um pouquinho, mas da pra comer.
Nosso destemido herói olhou para dentro da panela, o que tinha lá não era comida queimada, mas sim um pedaço de carvão.
Pensem meus amigos o menino fizera sua mudança ao ser exilado do templo onde estudava para se tornar um grande clérigo, estava exausto e faminto, digo isso para justificar seus gritos de “EU NÃO QUERO COMER CARVÃO, EU NÃO QUERO COMER CARVÃO!!!”.
Ainda assim não acreditam na maldição da Segunda-Feira?
Este ultimo ocorrido se deu com a nossa musa, Lady Cabelinho, nossa amada Rafaela, está vindo morar por ultimo nessa geração, conhecida de Sir Luizinho a muito tempo, os dois advindos das terras de Ibaiti, quem aqui fala agora para ela também falou.
– Cabelinho minha amiga, coma antes de ir para moradia, o mal nos aguarda toda segunda à noite, apenas coma, logo entenderás o que eu digo.
Assim como eu ela ignorou o conselho, ao chegar a estalagem ela percebeu que todos se reunião na sala e partilhavam suas bolachas, ela não compreendia, ou esperava que aquilo não passasse de uma brincadeira, ela acreditou nisso até o derradeiro momento, aparentemente a comida estava maravilhosa, até nossa heroína levar o garfo a boca, o que sentiu foi o arroz duro feito com uma pitada de preguiça e duas de má vontade, as beterrabas mal cozidas exalavam o tempero adicional de ódio que foi colocado em tal prato.

Entendem agora do que se trata tal maldição?

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