Sentado numa cadeira comum de escritório, com os antebraços
sobre a escrivaninha, Diego discorria sobre fatos melancólicos de seu dia
num caderninho velho. Escrevia em preto, escrevia em azul, mas não precisava
de uma ampla aquarela para descrever em cores suas emoções, só as frias eram o
que lhe bastava, pois era assim que via sua vida: fria e mórbida.
As vezes até tinha um pico de euforia, no entanto
era breve como o efeito de um orgasmo mecânico. Passado esse momento, só lhe
restava um vazio incômodo, uma angustiante inércia que durava até o momento de
levar mais um empurrãozinho para cima ou para baixo, e na maioria das vezes era
para baixo. Cada vez mais se sentia só, fraco e demasiadamente indisposto para
tentar reagir a esta situação. O maior motivo de continuar nesse estado desesperador
era seu medo de falhar. Desse modo, nem podia considerar-se fracassado,
visto que um fracassado falha em sua tentativa. Diego sequer tentava, portanto só conseguia ser covarde.
Com o passar das semanas, dos meses e anos, sem a
menor expectativa de uma grande transformação em seu destino, Diego voltou a
trabalhar, voltou a buscar o prazer efêmero nas variadas formas artificiais de
mulheres e cigarros. Aprendeu a se conformar com seu medo, com sua infelicidade
e com sua existência vazia, passando então a simplesmente levar a vida como ela
era, sem mais reclamações sem mais resistência...
O mundo está repleto de Diegos!
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