quarta-feira, 6 de julho de 2016

Crônicas da moradia - Um fantasma ronda a Moradia

Um fantasma ronda a moradia! Não, não estou falando do comunismo, visto que esse não só ronda como há muito já se apoderou fervorosamente dos corpos desses estudantes insubmissos. Mas trata-se de uma sombra de medo que paira sobre esse recinto, o fantasma do menino do martelo! Um obscuro ex morador dessa tão afamada casa, que há anos apareceu pedindo estadia.
Na ocasião, ninguém tinha a menor ideia sobre seu passado. “Quantos anos ele tem?”, “Será ele homossexual?”, por último, uma ideia assustadora , “será que ele é um psicopata?”. Eram questões frequentemente levantadas pelos residentes quando Jorge não estava presente. Na dúvida sobre a sanidade mental deste garoto, Luiz um antigo morador escondeu o martelo da casa, para evitar que essa ferramenta pudesse ser usada como arma por esse enigmático novo morador, ato que será de suma importância na narrativa desse caso.
Com o passar dos meses, a maioria dessas perguntas foram respondidas, foram meses porque Jorge (nosso sinistro personagem), ao menos no começo evitava companhia, ficando a maior parte do tempo isolado no quarto mais escuro da casa. Após esse choque inicial de estranheza que os calouros sentiam em relação aos veteranos, todo mundo se enturmou, todos se acostumaram com as esquisitices particulares de cada um. Por esta época, Caíque, veterano, numa conversa com este soturno novato, relembrou as histórias de quando esse último chegara à moradia. Entre risos e piadas, contou-lhe o caso do martelo, que ficou martelando na cabeça desse último (é, eu sei, essa foi horrível) por muito tempo. Jorge, nessa época estava tendo problema com o uso de psicotrópicos, que o deixava paranoico, o levando a interpretar qualquer brincadeira como algo sério. E com o reavivamento daquela memória, todas na casa passaram a fazer piada sobre martelo com ele do tipo, “cuidado com o martelo”, o levando à beira da psicose, que o fez perguntar neuroticamente a si mesmo:
— Por que todos fazem piada comigo? Por quê? Eu sou legal com todo mundo, não faço mal a ninguém, a ninguém; eu sou legal, sou legal, legal, legal... HAHAHAHA! SOU LEGAL!
No meio de uma madrugada qualquer, os moradores acordam sobressaltados da cama devido a um estrondoso som de pancadas furiosas na parede externa da casa. Todos levantam para ver o que houve, e no local encontram escrito com letras garrafais vermelhas os dizeres: “Vocês sempre pediram pelo martelo, e agora eu lhes darei!” com o ponto sido marcado na parede com as pancadas do martelo. Assustados, se voltaram ao quarto de Jorge e descobrem que ele não está mais lá. Então Luiz aparece ofegante dizendo, “Galera, galera! eu fui no quarto ver se o martelo ainda estava lá, e... O MARTELO SUMIU!!!”.

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